APFA define por confronto extra entre Cascais Crusaders e Lisboa Navigators

Em comunicado oficial, a Associação Portuguesa de Futebol Americano (APFA) tomou a decisão de uma partida extra entre Cascais Crusaders e Lisboa Navigators para definir o último classificado aos playoffs da Liga Portuguesa de Futebol Americano (LPFA).

Confira o comunicado na íntegra

“COMUNICADO N.º 02 – 2015|2016

Esclarecimentos à resolução de desempate

Em conformidade com o ponto 1 do Artigo 56º dos Regulamentos de Competição, publicamos em comunicado os esclarecimentos à resolução de desempate com possibilidade de acesso aos playoffs que definem o apuramento do campeão da Liga Portuguesa de Futebol Americano.

Artigo 56.º

(Interpretação e integração de lacunas)

As dúvidas de interpretação na aplicação deste Regulamento serão resolvidas pela Direcção da APFA, a qual divulgará mediante Comunicado a sua interpretação, a qual se revestirá de força obrigatória geral, sem prejuízo de eventual recurso, o qual, no entanto, não terá efeito suspensivo.

Após conclusão dos jogos da fase regular da Liga Portuguesa de Futebol Americano e com a confirmação do empate entre 3 equipas da conferência do Sul, procedemos à aplicação de desempate de acordo com o disposto no Artigo 12º dos Regulamentos de Competição.

Artigo 12.º

(Competições por % (vitória-derrota))

Para estabelecimento da classificação geral dos Clubes que, no final das competições se encontram com igual percentagem, serão aplicados, para efeitos de desempate, os seguintes critérios, segundo ordem de prioridade:
a) Pela maior percentagem de vitórias-derrotas nos jogos disputados entre as equipas empatadas;
b) Pela maior diferença entre número de pontos marcados e sofridos nesses jogos;
c) Pelo maior número de touchdowns marcados nos mesmos jogos;
d) Pela maior diferença entre o número total de pontos marcados e sofridos em todos os jogos disputados na competição em causa;

É do nosso entender que na aplicação do sentido literário do que está descrito do artigo, a aplicação do desempate é considerado com as 3 equipas que se encontram com a mesma percentagem.

Quando a aplicamos o artigo no cenário de uma tabela, Tabela da Conferência do Sul, obtemos a classificação pela ordem, Sharks, Crusaders e Navigators.

Verificamos após, que a sua aplicação no atual sistema competitivo é dúbio para a disposição de uma tabela nacional onde serão apuradas, a primeira e segunda equipa melhor classificadas, que não foram apuradas diretamente pela disposição das suas tabelas de conferência.

Ora, após uma leitura mais atenta aos regulamentos, este formato competitivo que foi adotado após a saída de uma equipa já inscrita e que obrigou à alteração do formato já estabelecido, não se encontra contemplado pelos mesmos, ficando um vazio quanto à sua aplicação de desempate, não só no caso que se encontra em análise, mas também em outros cenários que poderiam acontecer caso existissem equipas da conferência do norte com a mesma percentagem das equipas do sul sem qualquer jogo entre as equipas de conferências diferentes.

Assim que, para o caso em análise pode ser facilmente interpretado:

– Após a aplicação dos critério de desempate uma vez, o seu resultado deve ser replicado em todas as tabelas auxiliares para apuramento de quem ainda não foi apurado;

OU

– Após a aplicação do desempate uma vez, e, após o apuramento de uma equipa, essa equipa por já se encontrar apurada não deve interferir no apuramento nas tabelas auxiliares existindo uma segunda ronda de desempate.

Duas interpretações diferentes que, produzem dois resultados diferentes na aplicação do mesmo artigo.

Ambos os clubes contactaram a APFA e apresentaram os seus argumentos de interpretação às regras, e até, com casos práticos de outras competições, e tal não poderia deixar de ser ambos os clubes apresentam opiniões diferentes, baseados nas interpretações expostas.

A APFA como entidade organizadora não pode, nem deve basear as suas decisões com a aplicação de critérios de outros campeonatos devidamente regulamentados para os formatos competitivos que praticam.

Entende assim esta administração que o regulamento e respetivo critério de desempate é omisso quanto à sua aplicação, e, em total justiça dos compromissos iniciais de todas as equipas em competição, a conquista dentro do terreno de jogo o resultado dos seus objectivos de época, e, de forma a poupar a sua justificação de sucesso ou insucesso dos compromissos desportivos das equipas causada por um regulamento que é omisso no atual formato competitivo, concluímos que o desempate entre as duas equipas que estão em disputa, será decidido através da realização de uma partida de futebol americano especificamente para apuramento do desempate, conforme comunicado às equipas, CRUSADERS e NAVIGATORS no passado dia 13 de Março de 2016.

Tal como comunicado aos clubes hoje dia 16 de Março de 2016, a partida será realizada no próximo dia 19 de Março com início marcado para as 16h, no relvado sintético nº 4 do Estádio Universitário de Lisboa.

Legitimidade na aplicação legal da decisão

Recebe esta administração no passado dia 15 de Março de 2016 do clube de praticantes LISBOA NAVIGATORS, uma contestação quanto à decisão da administração da APFA alegando falta de legitimidade na aplicação legal da decisão tomada perante os regulamentos, informando que, é decisão do clube de praticantes LISBOA NAVIGATORS a recusa de participar em qualquer jogo de desempate.

Comunica esta administração, que entrepôs esta administração junto dos seus consultores jurídicos um pedido de análise com a máxima urgência.

Informa também esta administração, que, tal como descrito no artigo 56º dos regulamentos, “(…) sem prejuízo de eventual recurso, o qual, no entanto, não terá efeito suspensivo.”

Comunicamos também que, as faltas de comparência, estão claramente identificadas nos regulamentos desta competição no CAPÍTULO IV – FALTAS DE COMPARÊNCIA E DESCLASSIFICAÇÕES as suas penalidades.

Porto, 16 de Março de 2016
A Direcção”

Posicionamento dos Navigators

“Os Lisboa Navigators contestaram a decisão da Associação Portuguesa de Futebol Americano de ser realizado um jogo de desempate já este fim de semana. Podemos comunicar que tomámos as diligências que achámos necessárias juntos das entidades oficias. Em relação ao comunicado que foi realizado pela APFA hoje de manhã, em breve responderemos ao mesmo.

Não podemos continuar a compactuar com atitudes que nos envergonham tanto a nós, como a este desporto que adoramos.”

Posicionamento dos Crusaders

“Não é política do clube nem dos seus jogadores entrar ou deixar-se afectar pelo que é dito e discutido nas redes sociais. No entanto, agora que a LPFA tomou a sua decisão final, será aberta uma excepção neste caso, para que seja do conhecimento de todos a versão total dos acontecimentos, dado que nas já referidas redes sociais têm sido dadas opiniões sem qualquer tipo de fundamento.

A primeira questão que importa explicar tem a ver com o primeiro comunicado da Liga que definiu como seria feito o desempate a três entre Sharks, Navigators e Crusaders. Ao contrário do que tem sido dito, a Liga não mudou as regras a meio do campeonato. O critério de desempate estava definido e nada foi alterado.

Os Crusaders fizeram uma pesquisa séria sobre a aplicação desse critério (em tudo igual à da Liga Portuguesa de Futebol), chegando à conclusão de que o critério estava a ser mal interpretado e enviaram a exposição da questão à Liga, não o fazendo sem antes ter uma grande certeza sobre o que estava a ser dito. Numa época anterior, na Liga Portuguesa de Futebol (que como referido, tem critérios de desempate quase iguais, palavra por palavra, aos da nossa liga), houve também um empate a três demonstrativo do erro que estava a ser cometido. É de extrema importância referir algo que nunca foi mencionado em lado nenhum: o termo “confronto directo” não existe em qualquer paragrafo do regulamento em causa. Os regulamentos falam em “equipas empatadas”. O termo “confronto directo”é uma gíria usada habitualmente mas que perde todo o sentido a partir do momento em que em vez de duas equipas empatadas existam mais do que duas. Também na NFL os critérios de desempate seguem este espírito. Sendo verdade que a NFL é uma competição diferente com regras distintas, por ser o mesmo desporto e por ser semelhante nos regulamentos no que diz respeito a este caso concreto, pode ser feita essa analogia. A Liga analisou essa exposição e fez uma clarificação pública dos critérios de desempate.

A segunda questão, e a que ditou que a Liga sentisse que teria de marcar um novo jogo entre duas das equipas empatadas, está relacionada com o método de apuramento para os playoffs, algo que, devido às alterações ao campeonato já em cima do começo do mesmo, acaba por ser difuso e não regulamentado. Foi essa falha nas regras que foi explorada, numa interpretação das mesmas que não está de acordo com o espírito do nosso regulamento e não existe em mais nenhum caso de outras ligas a que se possa fazer uma analogia.

Mais uma vez os Crusaders decidiram fazer uma pesquisa séria sobre o assunto, analisando tanto (inclusivamente com a opinião de advogados externos ao clube) as regras da Liga e a comunicação feita às equipas no início da época sobre o modelo do playoff, como as regras de outras ligas a que se possa fazer uma analogia. Na comunicação feita aos clubes nunca é referido que as equipas apuradas directamente em cada conferência deixem de fazer parte de uma classificação nacional (essa sim, referida várias vezes) que serve para determinar os dois melhores não apurados e, logicamente, para definir também quaisquer desempates. Na análise feita a outros campeonatos, a solução encontrada, por exemplo, na NFL (caso mais próximo que podemos analisar), é óbvia: caso tenha de ser feito um desempate entre três ou mais equipas para determinar um vencedor de conferência (no nosso caso em tudo semelhante a Devils e Sharks na zona sul, ou seja, equipas que terão apuramento directo para os playoffs), o posicionamento final das equipas na tabela será definido imediatamente por esse desempate, não sendo feito qualquer outro após isso.

Essa análise foi exposta à Liga, que ainda assim entendeu que a falta de regulamentação no nosso campeonato levaria à necessidade de um terceiro jogo entre Crusaders e Navigators apenas para efeitos de desempate. Parece-nos injusto que uma associação com poderes de supervisão sobre a liga se pronuncie ser incapaz de interpretar as suas próprias normas e tomar uma decisão, sobretudo quando, no nosso entender, uma das análises resulta de um trabalho sobre as regras da nossa liga e de analogias possíveis de outras ligas e a outra apenas se justifica numa falha de regulamentação. Parece-nos injusto sobretudo porque este jogo pode colocar a equipa que o vencer em desvantagem para os playoffs pela acumulação de jogos (se uma das duas equipas chegar à meia-final terá mais dois jogos que o seu adversário nessa eliminatória).

Esperamos sinceramente que esta situação se resolva de forma a que estes, ou outros, regulamentos sejam cumpridos, mas não temos dúvidas de que é urgente uma revisão exaustiva dos mesmos, acima de tudo para que abranjam todas as possibilidades do modelo competitivo em causa aquando da sua aplicação, e que tudo isto não volte a acontecer, pelo bem da nossa modalidade.”