A conjuntura econômica mina a logística do Santa Maria Soldiers na Liga Nacional

Última viagem do Santa Maria Soldiers foi a Joinville para encarar os Redlions. Imagem Carlos Constantinov/Salão Oval/Reprodução

Quando a história caminha para um final feliz, um desastre ocorre para piorar a situação e dar mais suspense. O roteiro clichê aconteceu recentemente com o Santa Maria Soldiers. A batalha para angariar fundos que custeariam a viagem para Sete Lagoas – onde o time terá pela frente o Belo Horizonte Eagles -, rumava para um objetivo próximo, mas a malvada logística e a alta do dólar nos últimos dias afetada diretamente a gestão do presidente Diogo Hartz. O que era para ser um conforto irá virar num desgaste físico e mental.

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Os Soldiers tinham conseguido um patrocinador para auxiliar no valor do transporte, orçado em torno de R$ 35 mil. As passagens por uma companhia aérea giravam cerca de R$ 720. Entretanto, as conjunturas da instável economia brasileira e internacional fizeram com que os tickets para embarque subissem a R$ 2 mil. A conta é simples 2.000 reais vezes 45 jogadores são R$ 90 mil. O custo torna-se 2,5 maior! 90 mil reais é mais ou menos o que uma equipe que disputa a Liga Nacional gasta para a temporada inteira. Impossível. O jogo está agendado para este sábado. Os Soldiers precisam do montante para ontem.

Aproximadamente 40 integrantes, entre atletas e comissão técnica, devem embarcar a Minas Gerais. A viagem está programada para começar às 2h desta sexta-feira. Os Soldiers pagarão cerca de R$ 20 mil em despesas com o deslocamento.

Leia a nota de esclarecimento na íntegra

“O Santa Maria Soldiers vem através dessa nota informar que, infelizmente, nossa ida para Minas Gerais para a disputa da semifinal da Liga Nacional de Futebol Americano será via ônibus.

A diretoria da equipe tentou de todas as maneiras viabilizar a viagem de avião para os atletas, evitando assim um deslocamento com duração aproximada de 30 horas com o ônibus. Porém, esse sonho e conforto não se fez possível. Fretar um avião é algo financeiramente impossível para uma instituição esportiva do porte do Soldiers. Além disso, a dificuldade em adquirir 45 passagens em um mesmo final de semana, para o mesmo destino, colaborou para o insucesso da viagem.

É uma realidade triste a que vivemos em Santa Maria! Enquanto o calendário esportivo se encaminha para seu final em 2016, somos a única equipe da cidade ainda postulando um título em nível nacional. Também nesse ano tão especial, erguemos o caneco do Gigante Bowl – uma amostra do potencial do futebol americano em nosso estado e país. Em todos os jogos que mandamos no Estádio Presidente Vargas, tivemos mais de 500 pessoas presentes.

Dar W.O na partida mais importante de nossa história não está nos planos. Portanto, iremos marchar por cima desse contraponto, mesmo que a perna pese, que as costas doam, lutaremos em campo por cada jarda. É importante ressaltar que o apoio da Rota Simuladores, única empresa interessada em patrocinar a equipe até o momento, ainda será de suma importância para que essa viagem aconteça.

Para 2017, com a disputa da Super Liga – a primeira divisão NACIONAL do futebol americano – esperamos que o empresariado santa-mariense redirecione seu foco para o esporte que mais cresceu em relevância na cidade nos últimos anos: somos uma REALIDADE. Cada vez que saímos jogar fora de Santa Maria, levamos junto seu nome. Cada vez que jogamos em Santa Maria, levamos uma multidão ao estádio, sedimentando cada vez mais uma nova cultura esportiva na cidade.

Respeitamos as demais modalidades, mas é notória a falta de carinho com que se olha para o futebol americano – esporte que hoje mobiliza o maior número de torcedores presentes em um jogo na Boca do Monte.

Isto posto, me coloco a disposição para maiores esclarecimentos.

Diogo Hartz, presidente do Santa Maria Soldiers.”

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Nota do editor: Como gaúcho e criador deste canal sobre o futebol americano praticado no Brasil e Portugal, me chateia ver o descaso dos empresários santa-marienses com a equipe.