Cornerback do Recife Mariners tem relação estreita com Estádio dos Aflitos

#21 Bruno Melo tem um carinho enorme pelo estádio do Náutico. Foto Mariners/Divulgação

A partida entre Recife Mariners e João Pessoa Espectros na próxima segunda-feira (12) está rodeada de rivalidade. Os dois times têm dominado o futebol americano nordestino há anos e de 2014 para cá, as equipes são exemplos de excelência dentro e ora dos gramados. Neste embate, os paraibanos querem devolver a derrota sofrida em junho, quando os marinheiros conseguiram uma virada incrível em menos de três minutos, em João Pessoa. Por outro lado, os Mariners querem garantir a primeira colocação geral e o direito de jogar a semifinal e uma possível final como mandante. Porém, a partida significa muito mais para um jogador do Mariners.

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A equipe completou dois anos mandando seus jogos nos Aflitos recentemente. São dez jogos e apenas uma derrota no Eládio de Barros Carvalho – como também é conhecido o local. Jogar em um estádio histórico era um sonho para muitos atletas, mas o cornerback Bruno Melo encara pisar no gramado de outro modo.

— A minha relação com os Aflitos é meio poética e de longa data. Porque moro ali perto há 12 anos, a primeira coisa que faço todo dia é ir até a varanda rezar e, inevitavelmente, faço isso olhando para os Aflitos. O Eládio de Barros Carvalho simplesmente é inspirador para mim. Sonhava em pisar no gramado numa partida oficial e ter meus momentos de glórias ali — revelou.

Bruno quase não compareceu na primeira partida do time no estádio que sempre admirou. Precisou se esforçar para chegar a tempo.

— No primeiro jogo dos Mariners que aconteceu no estádio, em setembro de 2013, eu estava em São Paulo e minha passagem de volta estava marcada para o horário do jogo. Terminei brigando com a minha namorada da época, adiantamos o voo de volta e chegamos no aeroporto às 4h da manhã para que eu pudesse chegar a tempo — lembrou.

Tanto esforço valeu a pena e Bruno sabia que sua vida mudaria a partir daquele dia. O torcedor se tornou atleta e hoje é membro da direção do time. A ligação ficou tão forte que ele marcou o time no coração, para ser mais exato.

— A sensação foi indescritível. Ter três mil pessoas gritando e incentivando o time em que eu jogava era bom demais para ser verdade. A partir dali eu soube que os Mariners eram um ponto crucial da minha vida. Por ter realizado esse sonho, tanto que tatuei a âncora do time no peito junto ao meu número, 21. Jogar nos Aflitos, desde então, tem sido uma honra, e desde que passamos a treinar lá, não tem como eu me sentir mais em casa — afirmou.

Dos dez jogos disputados até agora, o cornerback não escolheu um específico para dizer que é o seu favorito. Na sua mente cada jogo tem um significado diferente. Cada duelo tem uma memória especial.

— Todos os jogos são inesquecíveis para mim. A vitória contra o João Pessoa Espectros, ano passado, tem um gosto muito especial. A vitória contra o Ceará Caçadores no dia 6 de setembro desse ano, em que fui escolhido como melhor jogador da defesa da partida, também foi incrível, porém, foi o jogo em abril desse ano, contra o América Bulls, que ficará para sempre na minha memória. Foi o meu primeiro jogo começando como titular. Ainda havia a pressão de ser o primeiro jogo do ano depois de termos chegado tão perto do título no ano anterior. O time estava nervoso e o nosso ataque tão forte não conseguia marcar um touchdown nos potiguares. Aconteceu algo inédito para mim: meu primeiro touchdown. Como jogador da defesa isso é bem raro de acontecer e num lance rápido eu interceptei a bola lançada pelo quarterback dos Bulls. Não fiquei só nisso. Retornei para a zona de pontuação adversária. Foi meu primeiro pick six! Foi tudo tão rápido e tão incrível! Foi o trabalho duro sendo reconhecido e de lá pra cá, isso só me fez intensificar ainda mais meus treinamentos diários — contou.

Duelo duro

Dentro de campo, Bruno tentará ajudar seus companheiros a parar os Espectros, que após a derrota para os azuis de Recife vem embalado de quatro vitórias seguidas. As equipes têm sidos os destaques da Superliga Nordeste e o duelo vale a liderança do Grupo Sul e a briga pela melhor colocação geral da competição.

Dia das crianças especial

Durante a semana os Mariners realizaram um sorteio para que as crianças entre 5 e 12 anos possam entrar com os jogadores em campo. Como a partida é no dia delas, nada como fazê-las comemorar em grande estilo. Além disso, os azuis receberão brinquedos, livros e alimentos não perecíveis para doar ao Centro Social Dom João Costa.