Giane Pessoa é a primeira brasileira a apitar em uma competição da IFAF

Pessoa (d) ao lado do reconhecido árbitro americano Bill LeMonnier. Foto Arquivo pessoal

Após ser anunciada como uma das selecionadas para apitar a Flag Football Word Championship (FFWC), em setembro, nas Bahamas, Giane Pessoa torna-se a primeira brasileira a arbitrar em uma competição internacional da International Federation of American Football (IFAF). O Futebol Americano Brasil entrou em contato com Pessoa para saber um pouco mais sobre este ineditismo tupiniquim.

A FFWC está agendada para ser realizada entre os dias 7 a 12 de setembro, na cidade de Freeport, na região de Grand Bahamas. O mundial será disputado por x equipes masculinas e femininas. Está será a terceira vez que uma equipe brasileira feminina participará da edição.

Com o resultado obtido nas eliminatórias americanas, as gurias do Brasil Onças estão na chave A com Áustria, Bahamas, Dinamarca, Israel e México. O grupo B é composto por Canadá, França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Panamá.

Confira a entrevista na íntegra

Futebol Americano Brasil – Como foi a seleção para ser uma das árbitras da Flag Football World Championship?

Giane Pessoa – A IFAF enviou email para todas os países participantes pedindo a indicação de árbitros. A presidência da CBFA encaminhou o pedido a mim e convidei todos os melhores árbitros do Brasil que atuaram na CBFA ano passado. Nos foi dado um prazo muito curto, então, somente eu e mais um conseguimos resolver as pendências sobre passaporte e visto. Encaminhamos esses dois para a IFAF e eles me escolheram. Na verdade, não foi nada extraordinário.

FABR – Como está a preparação para arbitrar nas Bahamas?

Pessoa – Sobre a preparação, como eu sou diretora da arbitragem da CBFA fico constantemente analisando vídeos, revendo o livro de regras e procurando situações para comentar. Além disso os árbitros da IFAF criaram um grupo em que nós discutimos algumas jogadas exatamente para nos alinharmos e aplicarmos as mesmas coisas no mundial. Está sendo incrível.

FABR – Tu quem custeará as tuas despesas, tal como: passagens aéreas, hospedagem, transporte e alimentação, em Freeport? Ou isso fica a cargo da IFAF ou do comitê organizador local?

Pessoa – A hospedagem e alimentação será integralmente custeada pela organização. A passagem será um subsídio, que é insuficiente. Então, eu sigo mendigando para eles pagarem tudo.

FABR – Como tu consegues conciliar a rotina de estudos das regras do esporte com o resto das tuas atividades cotidianas?

Pessoa – Isso de conciliar a rotina acredito que seja a parte mais difícil. Porque trabalho por muitas horas durante o dia e aos finais de semana estou sempre apitando ou treinando, então sobra pouco tempo para família e para isso. O que acaba acontecendo é que eu vejo as coisas no transporte público, nos minutinhos que sobram do almoço ou a noite quando chego em casa, que reservo para coisas que requerem mais tempo. As vezes acordo um pouco mais cedo para fazer algumas coisas antes do trabalho. Diria que é uma loucura a rotina.

FABR – De onde veio a ideia de ser árbitra? E como foi a iniciação no futebol americano?

Pessoa – Eu comecei a jogar flag 5×5 em 2012 e meu treinador nos incentivou a fazer um curso de arbitragem, porque é importantíssimo saber as regras, né? [risos]. Nisso me convidaram para apitar um jogo com um supervisor e depois disso não larguei mais. Peguei gosto pela coisa e hoje faço com enorme satisfação.