Jogadas inusitadas para surpreender o adversário

Independente do nível da equipe, seja NFL, profissional em outra liga ou amador, as trick plays fazem parte do livro de jogadas. Essas jogadas inusitadas para surpreender o oponente podem servir como uma carta na manga em momentos cruciais e a história do futebol americano mostra como elas são relevantes.

Quando se trata de jogadas inusitadas, no futebol americano o leque é muito grande. No entanto, algumas mais usadas e frequentes destacam-se mais do que outras.

Utilizando os special teams — O punter e o kicker não servem apenas para chutar a bola. As vezes um time entrosado e ousado pode tentar algumas jogadas fora do padrão, mas que precisam acontecer em horas inesperadas.

Uma das mais clássicas é o fake punt, utilizado com mais frequência no futebol americano universitário. Um exemplo famoso é esse que aconteceu no jogo entre Florida contra LSU, um fake punt que pegou toda defesa de Florida desatenta.

Mas é preciso ter alguns cuidados para utilizar o fake punt. O principal é não tentar esse tipo de jogada perto da própria end zone, pois, caso não funcione, o time adversário pode retomar a bola a poucas jardas dos seis pontos. Outro ponto importante é não inventar demais. Quando se trata de fake punt, a alternativa é lançar para alguns dos recebedores aptos ou o punter correr com a bola. Nada de ficar fazendo passes para trás ou algo do tipo.

Já o fake field goal funciona com os fundamentos parecidos do punt, mas a diferença é que nesse caso o kicker tem menos tempo para agir e o holder tem a opção de participar da jogada. Outra diferença é que esse tipo de jogada é menos arriscada, visto que acontece no campo de ataque e não coloca em risco a própria end zone.

Outro tipo de trick play com os times especiais é através do onside kick. Essa jogada, quando usada de maneira esporádica, pode trazer resultados positivos. Um exemplo clássico é no Super Bowl XLIV entre Saints e Colts, quando os campeões utilizaram desse artifício. É uma jogada que, se utilizada logo na volta do intervalo, tem mais chances de funcionar.

O fake spike — Quando o fim do primeiro tempo está se aproximando ou o jogo está nos segundos finais e há poucos timeouts restantes, o spike é a única solução para o ataque travar o relógio após uma jogada que termina dentro do campo.

Portanto, quando o quarterback faz o sinal de spike, um clássico gesto apontando as duas mãos para baixo, a defesa adversária tende a relaxar e a esperar por uma jogada que não acontece nada. Porém, quando o ataque consegue enganar a defesa, o fake pode ser uma ótima alternativa.

Um exemplo clássico é com o produtivo Matthew Stafford, quarterback do Detroit Lions que em 2013 conseguiu enganar a defesa do Dallas Cowboys com um fake spike para o touchdown.

Usando os recebedores para surpreender — Geralmente os recebedores são muito atléticos e a posição que eles jogam faz com que eles tenham muita percepção do que acontece na secundária. Portanto, alguns wide receivers conseguem ler muito bem a defesa adversária, e isso é fundamental para uma boa trick play.

A dupla Tom Brady e Julian Edelman é perfeita para exemplificar como o trabalho entre quarterback e wide receiver pode render bons frutos além do convencional. Edelman, que tem um passado como lançador, surpreendeu a defesa do Philadelphia Eagles nessa clássica trick play em formato wildcat que estabelece o quarterback como recebedor.

Além da jogada de reverse, que coloca o wide receiver em movimento para correr em direção oposta após o snap, outra para surpreender que pode ser praticada é o passe para trás. Brady e Edelman também já fizeram.

Nesse caso, com o passe do quarterback para o wide receiver atrás da linha da bola, a defesa pode interpretar como screen, o que abre caminho para outro recebedor livre na secundária.

O running back também pode lançar — Em alguns livros de jogadas, o running back pode participar ativamente das jogadas que não envolvem apenas as tradicionais corridas após o handoff do quarterback. O mais famoso tipo de trick play envolvendo o running back vem na formação wildcat, que enfatiza a participação desse jogador como uma peça muito versátil no ataque.

Nas formações convencionais, também há espaço para o running back lançar. Isso mesmo após o handoff.

O quarterback como centro das atenções também nas trick plays — É possível o quarterback surpreender a defesa até mesmo em formações convencionais, como no caso da singleback. Isso é mais frequente de acontecer com a jogada flea flicker, que consiste no running back correr algumas jardas com a bola (geralmente antes da linha de scrimmage) e fazer um pequeno toss para o quarterback ter mais liberdade para lançar contra a secundária.

Mais uma trick play conhecida com o quarterback é quando dois deles são utilizados na jogada. Esse é um movimento bem raro, mas que quando utilizado pode quebrar a formação defensiva.