“Meu filho nasceu sem vida e foi reanimado”, conta atleta do Cuiabá Arsenal

O “Sr. Incrível” com os filhos em um jogo do Cuiabá Arsenal. Foto Junior Martins

— Meu filho Nícolas nasceu morto. Eu filmava o parto quando aconteceu. Ele nasceu roxinho, o médico cortou o cordão umbilical e levou da sala de parto. Eu parei de filmar e fui atrás para ver o que era. Vi os médicos tentarem reanimar ele. Já tinha passado alguns minutos e nada. E então fiz uma oração e uma promessa para Deus. Disse que se permitisse que meu filho vivesse, eu jamais deixaria ele só. Estaria junto em todos os momentos. Quando terminei essas palavras, meu filho puxou um fôlego de vida. Desabei e de joelhos agradeci — conta Moisés Ferreira.

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Moisés Ferreira Salomão, um cuiabano de tchapa e cruz de 33 anos, formado em Administração e também propaganda e marketing, pai de Nícolas Moisés Ferreira (13 anos) e de Lucas Moisés Ferreira (9 anos), é offensive line do Cuiabá Arsenal desde 2015. Moisés, agora divorciado, foi casado por nove anos com a mãe dos dois filhos. E para manter a promessa feita, ter um vínculo paterno forte e criar os filhos, usa duas táticas: a religião (cristianismo) e o esporte (jiu-jitsu e futebol americano).

— Eu literalmente suo a camisa para estar com meus filhos. Tenho diversas iniciativas para mantê-los ao meu lado. Nós frequentamos colégio dominical para estudar a bíblia, vamos aos cultos e praticamos esportes. Isso tudo ensina como lidar de forma respeitosa com as pessoas, a ser disciplinado, a se dedicar e a fazer por merecer. Desde a infância sempre estive junto. Onde eles estão eu também estou. Nos Estados Unidos, parte significativa dos atletas vem de escolas cristãs, que implantam o futebol americano para ajudar na educação — avalia Moisés.

Moisés, Nícolas e Lucas participaram de todos os sete jogos da temporada 2016 do Cuiabá Arsenal. Das cinco vitórias que levaram ao título de bicampeão estadual de futebol americano e das duas vitórias pela Superliga Nacional, o campeonato brasileiro da modalidade. O pai como jogador e os filhos como apoio. Nícolas e Lucas ainda não possuem idade para jogar pelo time principal, mas podem ser vistos em todos os jogos carregando água para os atletas que estão dentro de campo.

— A questão é plantar para colher. Deixo meus filhos livres para escolher. Eles decidem como se comportar. A gente nunca colhe o que não plantou. Eu tive que me esforçar muito para estar no time principal. E meus filhos fazem o mesmo. Estão junto com o time para aprender. Veem como tudo funciona, estudam e se encaixam em outras funções. Hoje eles servem para um dia serem servidos. É assim que a vida funciona. Dar para receber. Um dia vão lembrar disso, valorizar essa função de garoto da água e quem estiver nela — disse o pai-coruja, de apelido Sr. Incrível.

Nícolas treina para jogar como linebacker e Lucas aprende tudo para ser quarterback. Ambos cursam o ensino fundamental e acompanham o futebol americano jogado no Brasil e nos EUA. Tem o pai como super-herói e veem a prática do esporte como lazer, educação, saúde e como forma de criar laços de amizade e memórias em família. E os três dão boas risadas juntos ao relembrar das viagens, brincadeiras, vitórias e derrotas.

— Sempre gostei de esporte de contato. E vi no futebol americano os caras se arrebentar, se bater e voar uns sobre os outros. Falei, vou praticar isso. Mas com o tempo vi que era diferente do que pensava. Tinha que estudar estratégias, técnicas de como se posicionar, como se mover, como dar um tackle no adversário e uma infinidade de detalhes. Hoje não tenho idade para o time principal, mas ajudo a carregar água. Planto para colher. Começar de baixo e crescer. Assim sei que quando estiver no campo alguém vai me apoiar do lado de fora — pensa Nícolas.

Texto Junior Martins/Arsenal

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