O futebol americano ajuda jovem a controlar a diabete e combater a depressão

Marcelo Augusto usa o futebol americano para vencer batalhas diárias. Foto: Jose Renato Barbosa

Histórias que comovem dentro do futebol americano são bem comuns. Só que nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, por mais que o esporte ainda engatinhe, poucas novidades a respeito sabemos. O esporte, sim, pode ajudar muita gente. E bom que temos mais um caso em solo tupiniquim.

A boa nova vem do interior de Minas Gerais, mais precisamente, na cidade de São Sebastião do Paraíso, com a equipe do Paraíso Miners. Confesso que não conhecia este a cidade e pouco sabia da existência deste time mineiro. Esses tempos eu ouvi de um grande atleta do Minas Locomotiva, o Adam Araújo, que o FA não significa futebol americano, é “fazer amigos”. E este é o tema de um jovem garoto de 16 anos, aproveitar o esporte para vencer barreiras e fazer amigos.



Marcelo Augusto é o center do Paraíso Miners. E não só isso, ele é um vencedor. Luta diariamente contra uma cruel doença: a diabete; se motiva a quebrar barreiras sociais para vencer a depressão e fobia social. O futebol americano apareceu de supetão na sua vida, mas foi um fator determinante para que ele continuasse a viver como uma pessoa normal.

O jogador contou ao Futebol Americano Brasil e Pro Football que vencer diariamente a diabete não é fácil, ainda mais somado a depressão e o medo de socializar para piorar a situação. Marcelo deixou de estudar e se isolou.

— Sei sobre a depressão desde de meus 14 anos. Fiquei em casa sem fazer nada, sem estudar, sem sair com amigos. Fiquei apenas no computador vivendo uma vida virtual. Então, me chamaram para o time comecei a me enturmar, a conseguir falar com as pessoas — disse.

E foi através de um de seus amigos que o convite para jogar o futebol americano chegou. A rotina de exercícios físicos, somado a disciplina exigida pelo esporte, auxiliou o novato atleta a ter uma melhora significativa na sua saúde.

— Quando eu descobri a diabete com 14 anos eu fiquei bem abalado. Até os 15 anos ela foi meio descontrolada. Depois de dois meses no time, eu comecei a notar melhoras na saúde. Então, chegou o dia de ir ao médico e fazer os exames. Recebi a notícia que ela melhorou e que até agora está muito boa — contou.

Porém, uma frase que passou quase desapercebida pós-treino dos Miners transformou a visão de alguns companheiros. “Amanhã, irei a escola”, disse. Para Murillo Rezende, um dos wide receivers da equipe, o pessoal achou engraçado, pois é incomum para um adolescente naquela região estar fora da escola. Foi aí que descobriu a história do jovem. Foi quando Marcelo falou: “faz dois anos que não estudo. Não tinha coragem de sair de casa antes de começar a jogar com vocês”.

— A decisão foi até fácil. Eu simplesmente sentia falta da escola e vi que eu precisava disso para ter um futuro. Hoje estou na 9° ano da Escola Estadual Comendador João Alves de Figueiredo — completou.

O futebol americano no Brasil também pode transformar vidas. Após 11 meses no elenco dos Miners e há nove meses estudando, hoje Marcelo está com 136kg – ante aos 143kg que tinha. No último domingo (30), ajudou os Miners a vencer o seu primeiro desafio contra o Monte Alto Rippers por 16 a 2, num amistoso, e apresenta um futuro promissor.

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