Recife Mariners volta ao campo com (re)estreias, novo mantra e reencontro com a torcida

Clube usará jersey comemorativa aos dez anos da equipe. Foto Mariners/Divulgação

Neste sábado (7), o Recife Mariners dá o seu primeiro passo na pré-temporada 2016, a equipe enfrenta o Maceió Marechais, às 16h, no estádio dos Aflitos. Após mais de dois anos jogando no Eládio de Barros Carvalho, a maioria do elenco poderia encarar esta partida como mais uma. Porém, os azuis têm algo de novo, até para quem não é novato.

Na seletiva deste ano, 25 atletas foram adicionados ao elenco dos marinheiros. A maioria veio em busca de espaço no principal time da modalidade em Pernambuco, mas alguns estavam apenas procurando seu lugar de volta na equipe. Os casos de Felipe Hozana e Júlio Adeodato são os exemplos disso. Membros fundadores do time, cada um volta à equipe em situação diferente. Outros, como Gabriel Piola, têm histórias bem interessantes, já que atravessam grandes desafios para vestir o azul e branco. Porém, todos têm o mesmo objetivo: conquistar o título nacional.

Felipe Hozana, mais conhecido como Lacraia, era um dos linebackers mais temidos do Nordeste. Usava a camisa 90 e era sinônimo de terror para as defesas adversárias. Uma mudança geral na sua vida o fez dar um tempo no Mariners. Mas o time nunca saiu da sua cabeça.

— Quando eu parei, em 2013, eu estava com projetos para viajar para fora do país e estudar. Dei uma pausa no trabalho também, pois queria novos desafios. Quando eu voltei, descobri que iria ser pai, voltei e terminei ficando mais um ano na Irlanda. Quando voltei de vez para o Brasil, botei na cabeça que iria voltar ao time também — lembrou.

Tanto tempo longe do Recife não o afastaram do time. Sempre acompanhava tudo o que podia da equipe e até já arrumou um modo de se preparar para quando voltasse a jogar.

— Eu me considerava um embaixador do Mariners lá fora. Sempre falava com muito orgulho do time e mostrava o que o time ia fazendo aqui. E estava com aquela vontade louca de jogar. Cheguei a treinar em um time da Irlanda, o Dublin Rebels, para matar a vontade — contou.

De volta a Recife e aprovado nos testes dos Mariners, Lacraia mudou de número e também de posição. Agora ele veste a camisa 22 e joga em uma nova função.

— Agora estou em nova função. Vou jogar como strong safety, um pouco diferente da minha antiga posição, que era linebacker. Mas só um pouco, pois jogo mais próximo da linha de scrimmage — explicou.

As mudanças não ficaram apenas no atleta. Lacraia revelou que ver o time evoluir em tão pouco tempo o motivou a voltar mais preparado do que nunca.

— Mudou muita coisa. Eu via de longe e vi que em três anos mudou muita coisa. Os atletas estão mais preparados, o time está mais organizado e isso só motiva quem joga. Venho me preparando para isso desde novembro e não vejo a hora de estrear nos Aflitos — disse.

Se na defesa Lacraia era o grande destaque, no ataque a camisa 89 era sinônimo de versatilidade. Seja recebendo bolas, bloqueando, em corridas e até lançando, Julio Adeodato era sinônimo de perigo ao adversário. Em 2013, o wide receiver decidiu que era hora de se dedicar o time. Foram três anos apenas como presidente da equipe e lutando para colocar os Mariners e o futebol americano sempre em destaque. Porém, o campo fazia falta. Ajudar na administração e nos treinos não era mais o suficiente.

— Voltei porque sentia falta de jogar e queria ajudar meus companheiros do melhor jeito possível. Não voltei porque faltavam jogadores ou algo do tipo. Voltei porque queria contribuir mais e quero ganhar o título nacional — afirmou.

Assim como Lacraia, Júlio vem pegando pesado nos treinos há cinco meses e tem um aliado em comum a vários jogadores dos azuis. O presidente/atleta treina diariamente com o coordenador defensivo Richard Lowry, que também é personal trainer, e conseguiu resultados bem rápidos.

O novato que veio de muito longe

O que faria você mudar de cidade? Emprego? Um amor? No caso de Gabriel Piola, de apenas 18 anos, o Recife Mariners foi o grande motivo. Após dois anos jogando em Brasília, ele se apaixonou pelo time e decidiu que vestiria o azul e branco.

— Eu tenho família em Recife e um dos meus primos mais próximos me falou sobre o time e comecei a acompanhar. Virei um fã. Então resolvi que viria para Recife fazer a seletiva para tentar entrar para o time, e agora faço parte da equipe adulta dos Mariners — contou empolgado.

Mudar de cidade não é tão simples e Piola teve que lidar com muito mais do que esperava. Mas a maior dificuldade foi em campo.

— Do início do ano para cá, foi trabalho duro para conseguir me adaptar, já que a bola usada aqui é diferente da usada em Brasília, que era a da NFL, e a daqui é a de couro da NCAA. Tive que me adaptar a forma de como fazer a recepção e ajustar mais alguns detalhes, pois aqui no Nordeste nível é bem mais alto — comentou.