Tendências do ataque do Brasil Onças para o jogo contra os Halcones

Dantas e Fadini irão liderar o ataque do Brasil Onças. Foto montagem: Arquivo pessoal

Na última terça-feira (24), a comissão técnica do Brasil Onças, através do head coach Gabriel Mendes, definiu os 45 homens que formarão o roster da Seleção Brasileira para o amistoso contra a Argentina Halcones. O evento está agendado para o dia 16 de dezembro, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. O Futebol Americano Brasil entrou em contato com Mendes e o coordenador ofensivo Brian Guzman para esmiuçar as tendências do ataque.

Confira a lista dos convocados pelo Brasil Onças



Dos 45, 22 comporão a unidade ofensiva do Brasil Onças, dos quais são: dois quarterbacks, três halfbacks, dois blocking backs – espécie de híbrido entre fullback e tight end, também pode ser chamado de H-back* –, quatro wide outs, três slot receivers e oito offensive linemen.

O Futebol Americano Brasil procurou fazer uma análise dos convocados para o ataque, com o intuito de conhecer um pouco mais a fundo qual sistema a comissão técnica usará. Pelo baixo número de backs e elevado de receivers, foi levantada a hipótese de spread formation, com o signal caller posicionado em gun e o personel 10 ou 11.

— A ideia é usar este sistema mesmo, mais spread com pacotes 10 ou 11. O coach Brian quer jogar em no huddle e up tempo. Convocamos uma offensive line mais atlética, capaz de manter este tipo de pace que a gente quer implementar, que é de sufocar e não permitir que a defesa respire. O perfil buscado foi este em relação ao ataque — explicou Mendes.

— Obviamente eu não vou dizer ou divulgar que tipo de ataque que vou jogar, mas o palpite [spread formation, gun, personel 10/11] não está longe. O que é basicamente o tipo de ataque que se tornou o normal, o que a maioria das pessoas fazem. Vai ter muito shotgun, muito 10 personel para utilizar bem o talento dos recebedores que a gente tem. Vamos dar uma variada também com outros tipos de personel. A gente tem running backs o suficiente para jogar com dois no backfield, se precisar — completou Guzman.

O problema (ou solução) de tight ends no Brasil

Com somente um tight end de ofício – JP Fabres – foi uma opção defendida pelo coach Guzman e acatada por Mendes. Pelo sistema adotado, a falta de um segundo homem na posição não fará diferença no Brasil Onças.

— A opção por não ter um inline tight end foi minha. No final das contas, hoje, o pessoal tem que entender que o futebol americano não é igual ao futebol, que você vai pegar qualquer pessoa de outra posição e adaptar. Você tem de escolher um sistema ofensivo que você vai levar e levar os jogadores que vão se adaptar a este sistema. No Mundial, jogamos com um tight end [Felipe “Cebola” Castro e Breno Takahashi], ou com fullback [Everton “Pingo” Antero], usamos formações tradicionais em 21 personel, colocava o tight end na linha, etc. O ataque que eu optei para este jogo contra a Argentina e pensando no Mundial não é este tipo de ataque. Então já não havia necessidade de um inline tight end — argumentou Guzman.

Como Mendes já havia explicado na coletiva de imprensa, em Belo Horizonte, a seleção é reflexo dos times. No atual cenário, as equipes têm dificuldades de formar bons tight ends.

— Parte disto, e pelo menos nas nossas análises de vídeo, não havia um tight end novo e dominante na posição de tight end tradicional. E o outro motivo é que não estava tão envolvido nos planos que eu pretendia ou no que eu pensava para o ataque a largo prazo. Nós meio que ‘morfamos’ a posição e criamos esta posição de B-back ou blocking back, que na verdade é um tight end fora da linha. Tanto o Pingo como o JP tem a habilidade física e conhecimento para dominar esta posição — elucidou Guzman.

Dois quarterabcks destros

Com bons desempenhos nas últimas temporadas, Álvaro Fadini e Rodrigo Dantas terão a missão de atender as necessidades da unidade e liderar o ataque brasileiro rumo às vitórias. A escolha de dois signal callers destros levantou a dúvida de como seria a proteção no blind side, já que por ventura, mais receivers podem ser acionados no lado direito do ataque, ou até mesmo o deslocamento do halfback no lado esquerdo para uma proteção extra.

— Em relação ao blind side a gente vai ver. Não é tão importante quem vai jogar de left tackle ou de right tackle. Lógico que eu tenho em mente uma ideia de quem eu gostaria que tivesse em cada uma das posições, mas isso pode mudar com os dois dias de treino que a gente vai ter. Nós vamos jogar muito rápido, o pace que a gente vai colocar no ataque é algo fundamental. É algo que o coach Gabriel já colocou. Então, no final das contas, vão jogar os cinco OLs que tiverem melhor condicionados, que não diminuíam a velocidade do nosso ataque e que possam fazer tudo o que a gente espera que faça. Obviamente que nós temos muitos talentos nesta posição. Vamos ver quem se adapta melhor. Quem tiver de left tackle ou right tackle, a gente espera o mesmo tipo de desempenho, independente do quarterback ser destro ou não — finalizou Guzman.

*Não confundir H-back com halfback, são duas posições distintas no backfield.

Comentários? Feedback? Siga-nos no Twitter em @fabrnoticias e curta-nos no Facebook.