Disputar estaduais pode diminuir o rendimento no BFA?

Logo do BFA. Brasil Futebol Americano/Divulgação

Para ir mais afundo sobre a questão de saúde física dos atletas durante o ano, o Futebol Americano Brasil consultou alguns dirigentes de clubes que disputam certames estaduais e o Brasil Futebol Americano (BFA) para entender como gerenciar um elenco que terá muitos jogos na temporada.

Saiba como foi a temporada 2016 da Superliga Nacional



Para o presidente do Juventude, Eduardo Ferreira, o excesso de partidas ao longo do ano é um problema grande a ser enfrentado. No ano passado, os caxienses jogaram 12 jogos, onde seis deles pelo campeonato gaúcho e mais seis pela temporada regular da Superliga Nacional. Sem a ida aos playoffs, este número poderia subir para 16, caso o time chegasse ao Brasil Bowl. 16 que é o número de partidas feitas por uma equipe profissional na National Football League (NFL) na primeira fase. Cabe ressaltar que o esporte ainda é amador no Brasil.

— Temos que trabalhar com prioridades. A BFA é nossa prioridade. Vamos investir e brigar pelo título. O estadual, do qual eu fui um dos críticos devido ao longo calendário, ficará em segundo plano. Infelizmente, em breve, equipes de alto desempenho vão optar por uma ou outra competição, se desta forma permanecer no que tange o calendário. E isto impacta diretamente na saúde física dos jogadores. Não há muito que fazer a respeito, exceto efetuar a rotação de jogadores, a fim de não sobrecarregar ninguém, poupando as potencialidades da equipe para o segundo semestre, onde apostarei minhas fichas — argumentou Ferreira.

Praticamente no mesmo sentido foi o conterrâneo de Ferreira, o presidente do Santa Maria Soldiers, Diogo Hartz.

— Em 2016 fomos uma das equipes que mais jogaram no ano, com 17 jogos. A BFA ainda não definiu a tabela, mas mesmo com o aumento de jogos estaremos preparados para isso. Pode se perder um pouco de rendimento sim, mas se é ruim para os Soldiers é ruim para todos e, especificamente, aqui no Rio Grande do Sul é ruim para o Juventude. Como em 2016, traçamos metas para o primeiro e segundo semestres, para o primeiro é ir para a final [Gaúcho Bowl VIII] e tentar manter o título, para o segundo vou deixar no ar, já que temos bastante tempo até lá — contou Hartz.

Outro ponto a se destacar são os horários que normalmente são realizados os jogos no Brasil: às 14h. O desgaste dos jogadores durante os estaduais – que são realizados em pleno verão – pode afetar o rendimento e integridade física no segundo semestre, quando são disputadas as competições nacionais.

—Isso a meu ver, afeta a saúde muito mais do que eu ter 300 atletas rodando em jogos — disse o presidente do Corinthians Steamrollers, Ricardo Trigo.

Assim como o Juventude, o elenco principal dos Steamrollers disputou 10 partidas em 2016. Porém, diferente dos gaúchos, foram apenas seis meses de competições – já que a São Paulo Football League (SPFL) ficou com o calendário apertado e perto da Superliga Nacional – o que dá 1.6 jogos por mês, ou quase meio jogo por semana (0.41) em alto rendimento.

O outro lado da moeda

Se para alguns, o excesso de jogos e horários inadequados podem atrapalhar o rendimento e saúde física de seus atletas, para outros, mais jogos estimulam o elenco. O auxílio de profissionais ligados à educação física tende a trabalhar o condicionamento para que riscos de lesão sejam diminuídos.

— Nosso programa é periodizado de acordo com o calendário que temos. No HP, temos um mestre educador físico que é o responsável pela periodização dos nossos treinos. Esse conhecimento especializado aplicado à nossa rotina diminuiu risco de lesão e garante o auge físico dos atletas nas datas que precisamos [playoffs]. A rotação de atletas é importante para diminuir exposição deles ao risco de lesão. Logo, apesar de termos 3 a 4 treinos semanais e um profissional diferenciado cuidando da preparação dos nossos atletas, ainda assim usaremos de outras ferramentas para minimizar os riscos de lesão — ilustrou o presidente do Paraná HP, Rodrigo “Maximus” Zandoná.

Para o Recife Mariners, que terá um calendário cheio nesta temporada, com o ingresso da equipe principal e de desenvolvimento na primeira edição do campeonato pernambucano, é um cenário diferente do que a equipe vinha até então.

— A gente tinha certa preocupação com a questão de lesão, porque a temporada acaba se esticando muito. Os atletas acabam treinando dez ou onze meses, ao invés de nove. Além dos eventos em si, de acabar fracionando o público do que ser sazonal, onde o fã está animando com a NFL ou durante o segundo semestre é mais favorável para fazer jogos. Só que também temos de ver o outro lado que é bom, assim o nosso time pode fazer os amistosos que precisa, já que está mais difícil para fazê-los. Isso também é uma forma de se preparar, testar playbook e atletas que não tem muita experiência de jogo. Tudo isso entrou na equação. Isso também serve para reter jogadores, pois, se eles veem que tem outras equipes jogando mais, podem sair — falou o presidente dos Mariners, Julio Adeodato.

Com o aumento de compromissos em alto rendimento, os clubes precisam se estruturar ainda mais para manter seus atletas saudáveis. Parcerias com academias, fisioterapias e psicólogos podem ser uma alternativa para administrar este cenário.

— Esse ano estamos com uma parceria com uma academia e com cross fit também. Nosso treinador Richard [Lowrey], que também é preparador físico, ele está acompanhando todo mundo de perto. Ele está fazendo avaliações periódicas. Também estamos com parceria de fisioterapia e psicólogo, para manter bem a questão da saúde mental e física dos atletas — finalizou.

O head coach do Timbó Rex, Amadeo Salvador, foi contatado e não pode responder, pois o elenco encontra-se em Hell Week, em preparação para a disputa do campeonato catarinense neste primeiro semestre.

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