Invista na estrutura e garanta seu público no futebol americano

Simbiose entre o Carlos Barbosa Ximangos e os fãs é um bom exemplo de fidelização no Rio Grande do Sul. Foto Fabrício Barili/Ximangos/Futebol Americano Brasil

Opinião – Por Leonardo Oberherr

Quando falamos em estrutura para os times de futebol americano, logo imaginamos a hierarquia da equipe: conselho de gestão, presidente, direção, comissão técnica e todo aquele lance empresarial por trás de uma boa organização. Isso deve parar. Estrutura ganha jogos. Ganha campeonatos, e o mais importante: adeptos. Sim, a torcida é o bem mais importante do teu time. Deem seu valor.

Um time sem torcida presente não mostra sua força. Dentro e fora de campo. Dentro, pois falta incentivo, falta o grito da esposa daquele jogador desgastado pelo jogo que o motiva. Faltam as crianças gritando “vai, papai!” nos alambrados. Mas, fora de campo o problema é grande também: faltam apoiadores.

Qual empresa de médio e grande porte investe num aglomerado de jogadores, de um esporte ascendente e inédito só por ser legal? Poucos. Me arrisco a dizer que quase nenhum. O que um apoiador quer em troca do investimento? Novos clientes. Uma marca vista por centenas, milhares, milhões de pessoas. Quer se fazer presente no estádio. E como um time garante isso se tem pouca torcida, ou, se mesmo com pouca torcida, não divulga seu apoiador? Falo em banners, anúncios no som do estádio.

Voltamos aos torcedores: sim, eles são essenciais. Deem seu respeito. Eles merecem o melhor. Dentro e fora de campo.

Vamos falar em estrutura nos treinamentos: Conheço pouco da realidade dos times do interior, mas, em suma, nenhum time treina em um centro de treinamentos padrão Fifa, e tudo bem. Estruturas de treino como do Juventude, do Galo Futebol Americano ou do Timbó Rex são difíceis de conseguir. Treinar em lugar com banho quente? Raro. Treinar em local onde torcedores podem acompanhar os treinos com conforto? Mais raro ainda.

Como eu gosto de moedas, vamos aos dois lados. Estruturas boas? Juventude treina no CT do Juventude, um time de futebol da Série B do Campeonato Brasileiro, campeão de Copa do Brasil na temporada de 1999. Para o nosso padrão, é excelente. Vamos ao outro extremo. O Parque do Trabalhador de São Leopoldo, local dos treinamentos do antigo Buriers Football e São Leopoldo Mustangs, retém a mínima estrutura. Sem vestiário, banheiro, a única coisa boa é o estacionamento. Mas ainda assim é um parque. É aberto ao público.

Se para eventos a PUCRS, em Porto Alegre, é um sonho. Planejar investimentos na infraestrutura dos estádios alugados pode ser uma alternativa para atrair novos fãs e dedicar uma experiência positiva, com o intuito que eles se tornem clientes e fidelizados. Opções e exemplos como o Estádio da Montanha, em Bento Gonçalves, Estádio Edmundo Feix, em Venâncio Aires, Estádio Presidente Vargas, em Santa Maria, e o Campo do Serrano, em Carlos Barbosa, levam a crer que receber bem os torcedores pode garantir consumo majorado, somado ao apoio dedicado aos produtores de conteúdo do futebol americano jogado no Brasil. Aliás, cito aqui apenas os estádios dos quais já visitei, por isso deixo de lado os estádios de outros estados.

É disso que estamos falando. Uma estrutura decente para acolher seus torcedores. Isso e os resultados de campo cooperam para o crescimento da equipe, de suas receitas e seus números de troféus nos armários. E não entendam a crítica como algo que visa manchar a imagem dos times, não é isso. É apenas a inserção de um debate. O quanto valorizamos as nossas torcidas?

E vai além dos locais dos jogos. Vai de criar produtos para torcedores com bons preços. Vai de fretar ônibus e levar torcida para jogos fora de casa, e vai também de criar promoções, ações de marketing para seus fãs. Nada disso faz cair braços. Não ter um local adequado para receber os fãs é retrógrado. É ruim, é contra o esporte. Sem estrutura, o programa não agrega como um todo.

Nenhum prédio é construído sem seus alicerces. Vejam o seu time como este prédio. A estrutura são os alicerces e a torcida são os donos do prédio. São eles quem contrataram você para gerir a construção do prédio. Uma hora eles cansam. Uma hora eles procuram outro time. Eles e os jogadores. Quer ser melhor dentro de campo, seja fora dele também.

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